segunda-feira, 27 de março de 2017

10.000 m é... na Maia!


Se há pista com carisma no que concerne ao meio-fundo, essa é a pista do Estádio Municipal Prof. Dr. Vieira de Carvalho, na Maia. Já estão longe algumas das memoráveis Noites Quentes da Maia, mas ultimamente, sob a égide da Associação de Atletismo do Porto, as corridas de meio-fundo voltam a chamar a atenção.
Foi o que sucedeu no passado sábado, com a realização dos regionais de 10.000 metros (e ainda outras provas de preparação).
Mas, a nota principal vai para os 59 participantes nas duas séries masculinas e 12 atletas na prova feminina!
De todos os resultados, vejamos como ficaram os pódios:
Femininos - 1ª. Cátia Costa (MAC), 38.38,28; 2ª. Fátima Costa (CAT-P) - junior, 41.26,14; 3ª. Deolinda Oliveira (EAT) 41.40,23.
Masculinos (série principal) - 1º. Carlos Rodrigues (CSRDCS) 31.16,92; 2º. Paulo Barbosa (CSRDCS) 31.36,41; 3º. Fernando Lemos (ACDSJS) 32.44,05.

Corrida... pelas corridas!



Na impossibilidade de o fazer no próprio dia, vamos passar os olhos pelo que aconteceu em termos de corrida no nosso país. Com o tempo (quando conseguirmos juntar num mesmo calendário as competições de pista) lá chegaremos também a esse ponto.
E vamos ajudar-nos com o calendário do amigo João Lima, para fazermos esta volta, começando pelo dia 26.
Em S. Mamede (Batalha), realizaram-se os Trilhos do Pastor. Na prova longa, de 26 km, terminaram 136 corredores, com triunfos de Guilherme Lourenço (2:07.49) e Glória Serrazina (3:00.34), ambos do Ribafria, enquanto na prova curta (13 km), com 217 concorrentes, os vencedores foram Rui Pina (Fátima ET) e Sílvia Jorge (NS T. Novas).
Já em Mogadouro, os Trilhos das Amendoeiras em Flor (muito fustigadas pela intempérie), com 20,8 km, atraíram 82 concorrentes, com Rui Muga (AC Mogadouro) e Rosa Madureira (Penafiel) a triunfarem. Ele pela 5ª vez (quarta consecutiva) ela conseguiu o penta consecutivo (e tem mais um triunfo anterior).
No Alentejo, em Reguengos de Monsaraz, o Trail Running Monsaraz realizou-se em três distâncias. Na ultra (44 km), com vitórias de Ezequiel Lobo (SC V. Alentejo) e Emília Silveira ( Nucleo SCP Portel), terminaram 162 atletas; no longo (22km), venceram Francisco Pastor (Espanha) e Raquel Costa (Equilibrium), num total de 420 corredores; e no curto (10 km), com 328 corredores, venceram Valdo Pato (Lufipapel) e Nádia Assis (ET Stº António).
Nos Trilhos de Belas, que abriu o Circuito Lisboa Trail by Buff, estiveram mais de quinhentos participantes (ver outra notícia).
E Oleiros (Castelo Branco), decorreu o Trail Pinhal Total, com distâncias de 28 km (26 concorrentes), com triunfos de Luiz Mota (CB Abrantes) e Carolina Pereira (Dolce Furadouro), e 15 km (62 atletas), com vitórias de Ben Thompson (Individual) e Rosário Quelhas (CB Running T).
Neste mesmo dia, em estrada, destaque para a Corrida do Alva, a segunda etapa do Circuito Allianz Running by Record, com animada participação em Sandomil, no distrito da Guarda, e vitórias de Nuno Lopes e Inês Monteiro, do CA Seia.
Mais para norte, em Aveiro, 505 concorrentes estiveram nos 10 km Cidade de Aveiro, a "Veneza portuguesa", com triunfos de Daniel Gregório (CA Seia) e Carla Martinho (Adercus).
”Descendo” um pouco, Fátima recebeu a Caminhada e Corrida pela Paz, com 309 participantes. Triunfos de José Gaspar (Odimarq) e Emilia Pisoeiro (CAPEP).
Em Lisboa, o Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna levou a efeito a Corrida de Solidariedade ISCPSI/APAV, que foi a mais participada das provas, com 965 concorrentes, registando triunfos de Carlos Cardoso e Alexandra Sousa (GFD).
Finalmente, a margem sul do Tejo recebeu mais uma edição dos 12 Km de Salvaterra de Magos, com um total de 465 atletas (a mais baixa participação de sempre). Triunfos categóricos de Hugo Correia (Sporting) e Sandra Conceição (Marinha – CEFA).
Um dia antes, em Elvas, houve direito a mais uma edição do Grande Prémio Comendador Rui Nabeiro, com 114 atletas nas provas principais. Venceram Bruno Paixão, do Beja AC (segunda vitória consecutiva), e Vera Nunes, do SL Benfica.
Foi ainda dia de se realizar o Night Run Castle, em Montemor-o-Velho, com 128 participantes nos 10km. Triunfos de Hannu Airila (EA Coimbra) e Susana Cabral (run@figueira).
Em Fiães (Santa Maria da Feira), foi hora do Ulfilanis Run (10 km), com 241 concorrentes e vitórias de Leonel Fernandes (CA Ovar) e Joana Nunes (Águeda).
Mas, a fechar, destaque para a grande prova nos trilhos, que se realizou em três dias: o Ultra Trail do Marão. Foi a segunda prova mais participada desta nossa “corrida”, com 861 participantes. Na ultra (104 km), com 106 corajosos, venceram Jerome Rodrigues (individual) e Rosario Sanchez (Espanha); enquanto na prova longa (49 km) estiveram 301 concorrentes, com Diego Pazos (Espanha) e Natércia Silvestre (A. Bº Cansado), a serem os mais rápidos; e na prova mais curta (23km), estiveram 454 corredores, num triunfo de Paulo Costa (ADA T. Running) e Lucinda Sousa (Gondomar).

domingo, 26 de março de 2017

Raios de luz brilharam nos Trilhos de Bellas

(Foto: werun.pt)


Foi um dia cinzento em Portugal. Muita chuva, uma mais forte, outra mais leve mas mais frequente. Mas nos Trilhos de Bellas houve raios de luz, que surgiram nos sorrisos rasgados de quantos enfrentaram o mau tempo e completaram as provas que compunham esta competição, que marcava o início do Circuito Lisboa Trail by Buff.
Centenas de competidores surgiram a marcar a estreia deste circuito que, como anunciámos anteriormente, promoverá a presença de três portugueses (os vencedores masculino e feminino do circuito e o feliz vencedor do sorteio final) no clássico e exclusivo Buff Epic Trail, que decorrerá em Espanha, onde apenas participarão 250 corredores!
Na prova principal, K25, de Bellas, venceu Fernando Gomes (Herbalife), que completou o percurso em 2h12m07s, quatro minutos menos que o segundo, Virgílio Gomes (UF Comércio e Indústria), em 2:16.21. Ainda subiu ao pódio Henrique Joanico (individual), com 2:21.31 .
Em femininos, venceu a madrinha da prova, Sofia Roquete (AMCF Arrábida), que gastou 2h53m55s para completar o percurso. Subiram ao pódio Ana Amaro (Aminhacorrida, 3:15.32) e Mafalda Moniz (Go!Runners, 3:18.17).
Na outra prova competitiva, K10, o pódio masculino ficou ocupado por Ricardo Ferreira, PDTG Team (48.48), Nuno Gomes , individual (52.13) e Bernardo Pereira, PDTG Team (52.56). Já o pódio feminino foi preenchido por Filipa Rodrigues, PDTG Team (1:02.18), Margarida Amaro, AMCF Arrábida (1:06.13) e Denise Pereira, Runcrosstrail (1:08.32).
Terminaram a prova longa 262 concorrentes, enquanto na prova curta o fizeram 242.
O Circuito Lisboa Trail by Buff  prossegue no próximo dia 30 de abril, com o Cascais Trail Experience, que terá a presença do ultra maratonista Dean Karnazes, padrinho da prova.
Mais informações em www.werun.pt.

Fonte: werun.pt

Africanos dominaram mundial de crosse

(Foto: Roger Sedres for the IAAF)

Pois foi como se esperava. Os atletas africanos dominaram quase integralmente os mundiais de corta-mato que se desenrolaram em Kampala, no Uganda. Alguns problemas nos resultados fazem com que ainda apenas sejam desfechos oficiosos aqueles que aqui comentamos. Assim, oficiosamente, segundo o “twitter” da IAAF, o Quénia conseguiu 12 das 27 medalhas em liça, sendo 4 de ouro, 5 de prata e 3 de bronze. Etiópia ficou com nove medalhas (4-4-1), o país organizador somou três (1-0-2) e Turquia, Eritreia e Bahrain conseguiram uma medalha de bronze cada.
A novidade este ano prendia-se com a inclusão de uma estafeta mista (dois homens e duas mulheres) que o Quénia venceu nesta estreia, com uma equipa composta por  Asbel Kiprop, Winfredah Nzisa Mbithe, Bernard Kipkorir Koros e Beatrice Chepkoech. Os quenianos cortaram a meta oito segundos antes da Etiópia, que alinhou com Welde Tufa, Bone Cheluke, Yomif Kejelcha e Genzebe Dibaba, que tentou recuperar muito do tempo perdido, mas já não conseguiu. Na terceira posição ficou a Turquia, com uma equipa composta por atletas que nasceram no Quénia (Aras Kaya, Meryem Akdag, Ali Kaya e Yasemin Can)!
Nas corridas para os mais jovens, o ugandês conseguiu a primeira medalha de ouro de sempre da história do mundial de corta-mato (colectivamente o triunfo pendeu para a Etiópia), enquanto em femininos, a etíope Letesenbet Gidey, defendeu com sucesso o título conquistado há dois anos, levando a Etiópia a vencer o Quénia por um ponto.
Nesta prova correram, muito discretamente, as portuguesas Beatriz Rodrigues (87ª) e Catarina Guerreiro, que desistiu.

(Foto: Roger Sedres for the IAAF)


Nas provas principais, em femininos um acontecimento nunca antes verificado numa edição dos mundiais, em qualquer escalão ou corrida: as seis representantes do Quénia ocuparam as seis primeiras posições! A campeão mundial foi Irene Chepet Cheptai, que no mês passado correu no Algarve, vencendo o Crosse das Amendoeiras em Flor. Mas, vendo mais para baixo as classificações, verificamos que nas 12 primeiras ficaram mais três atletas nascidas no Quénia, mas naturalizadas pelo Barhain!

(Foto: Roger Sedres for the IAAF)


A principal corrida masculina, que o Quénia perdeu colectivamente por um escasso ponto (!), o anterior campeão mundial, o queniano Geofrey Kamworor, conseguiu revalidar o seu título, após um final dramático do ugandês Joshua Cheptegei, campeão nacional, que esteve na frente, isolado, até aos últimos 800 metros, altura em que “estoirou”, terminando na 30ª posição, mesmo a tempo de levar o Uganda ao pódio, com dois pontos menos que a Eritreia!
Kamworor, no intervalo das edições de crosse sagrou-se campeão mundial de meia maratona.

Resumo de resultados

Estafeta Mista

1.
Quénia
22.22



2
Etiópia
22.30



3
Turkey
22.37



Juniores (Sub20) masc.:
Por equipas:
1.
Jacob Kiplimo (UGA)
22.40
1.
Etiópia
17
2.
Amdework Walelegn (ETI)
22.43
2.
Quénia
28
3.
Richard Yator Kimunyan (QUE)
22.52
3.
Eritreia
55
Juniores (Sub20) fem.:
Por equipas:
1.
Letesenbet Gidey (ETI)
18.34
1.
Etiópia
19
2.
Hawi Feysa (ETI)
18.57
2.
Quénia
20
3.
Celliphine Chepteek Chespol (QUE)
19.02
3.
Uganda
63
...





87
Beatriz Rodrigues (POR)
24.31



Des.
Catarina Guerreiro (POR)




Séniores fem.:
Por equipas:
1.
Irene Chepet Cheptai (QUE)
31.57
1.
Quénia
10
2.
Alice Aprot Nawowuna (QUE)
32.01
2.
Etiópia
45
3.
Lilian Kasait Rengeruk (QUE)
32.11
3.
Bahrain
59
Séniores Masc.:
Por equipas:
1.
Geoffrey Kipsang Kamworor (QUE)
28.24
1.
Etiópia
21
2.
Leonard Kiplimo Barsoton (QUE)
28.36
2.
Quénia
22
3.
Abadi Hadis (ETI)
28.43
3.
Uganda
72

sexta-feira, 24 de março de 2017

Números e figuras do Mundial de corta-mato


(Kenenisa Bekele)


A propósito do Campeonato Mundial de corta-mato que decorrerá no próximo domingo em Kampala, no Uganda, fomos espreitar o excelente trabalho (Facts & Figures) do famoso estatístico Mark Butler.
E logo a abrir uns números impressionantes: já estiveram nas 41 edições do Mundial (de 1973 a 2015), 11297 atletas de 172 países, dos quais apenas quatro estiveram em todas as edições: Espanha, França, Grã-Bretanha e Estados Unidos.
Portugal, que este ano apenas está representado apenas por duas atletas juniores (Beatriz Rodrigues, do Águeda, campeã nacional, e Catarina Guerreiro, do Sporting, vice-campeã), surge logo no segundo ponto do trabalho sendo a edição que realizou em Vilamoura (2000) a que teve mais atletas a participar: 806!
Em termos de maior número de medalhas, o Quénia lidera com 304, seguido da Etiópia com 255 e dos Estados Unidos com 63. Portugal é oitavo nesta classificação com 22 medalhas.
Em termos individuais, o etíope Kenenisa Bekele arrasa. Tem 27 medalhas (entre individuais e colectivas), das quais 16 de ouro (12 de triunfos individuais!). Em femininos, também é uma etíope, Workenesh Kidane quem tem mais medalhas (21), mas em termos de ouro o título pertence a Tirunesh Dibaba, que tem 14 (cinco individuais e 9 colectivas).
(Carlos Lopes venceu no Jamor, em 1985)


Vamos agora a outras estatísticas, que envolvem portugueses. Carlos Lopes é o mais velho campeão de sempre, ao conseguir em Lisboa o seu terceiro título em 1985 (os outros foram em 1976 e 1984), com a idade de 38 anos e 24 dias, no entanto o neozelandês Jack Foster é o mais velho medalhado (ouro colectivo em 1975, com 42 anos e 297 dias). A mais velha a sagrar-se campeã foi Edith Masai, que venceu o crosse curto de 2004 com 36 anos e 34 dias.
No que concerne a atletas que mais vezes competiram no Mundial, o português Domingos Castro é o campeão de presenças com 18 momentos na linha de partida, entre 1982 e 2003, e a sua melhor classificação foi o sétimo lugar em Aix-les-Bains. E, para além disso, a recordista de presenças femininas também é portuguesa: Conceição Ferreira, com 17 participações. A somar a isso, a minhota conseguiu uma medalha de bronze em 1994!
Já agora, outra portuguesa, Albertina Dias, é uma das duas únicas atletas que conseguiram todos os lugares do pódio individual (ouro, prata e bronze). A outra é a britânica Paula Radcliffe.
Finalmente, embora regressando à estatística das participações totais, em 2015 registaram-se alguns dos piores totais desde 1982 (!) com 410 concorrentes (em 2013 foram 398!), com a Europa a ter o seu mais baixo número de sempre: 66 participantes.
Segundo as previsões para este ano, de acordo com as listas de inscrição, haverá um incremento de participantes (557 no total), muito à conta de África, que tem 312 inscrições, sendo essa a sua maior percentagem de participação de sempre: 56 por cento. Os Europeus, que já contabilizaram 85,9 por cento de participações, e que no ano recorde (2000 em Vilamoura), registavam uns expressivos 40,3 por cento, ficam-se agora pelos 13,8%. Ainda assim à frente da América do Norte (54 participantes, 9,7%), da Oceania (24, 4,3%), da Ásia (69, 12,4%) e da América do Sul (21, 3,8%).

Campeões Europeus apreensivos com a Turquia

(foto do Playas de Castellon)


O jornal “Marca”, na sua edição digital de ontem à noite, anunciou que o campeão espanhol Playas de Castellón comunicou à Real Federacion Espanhola de Atletismo a sua renúncia a participar na Taça dos Clubes Campeões Europeus que se disputará na cidade turca de Mersin, em 30 e 31 de Maio, dada a sua proximidade à Síria. O clube explica que a “sua ausência se deve à instabilidade da zona, salientando que o aeroporto de Adana se encontra a apenas 80 km da Síria e Mersin a menos de 200 km do conflito bélico”, acrescentando ainda “a própria instabilidade política da Turquia".
Segundo os responsáveis do clube, citados em “Marca”, "o Playas  apenas tomou esta decisão após ouvir a opinião dos seus atletas, que na grande maioria viram com bons olhos o nosso critério de não nos deslocarmos”. Segundo os espanhóis, “os campeões ingleses e os belgas também anunciaram a sua ausência e parece que há mais clubes a equacionar a ausência”.
Ainda segundo a notícia, a Associação Europeia de Atletismo pensou na possibilidade de mudar a sede da prova, pois tanto Lisboa como Birmingham (Reino Unido), e o próprio Playas de Castellón, “estavam dispostos a organizar este evento, mas a AEA não quis romper o acordo que tinha com a cidade turca”.
Na sequência da renúncia, a federação espanhola proporá a presença do FC Barcelona, vice-campeão espanhol, para competir na Turquia. Se os catalães anuírem, na próxima temporada a Espanha manterá uma equipa no grupo A, se não aceder, o representante espanhol em 2018 terá de competir no Grupo B que, diga-se a propósito, este ano tem lugar em Leiria.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Uma evocação histórica, com Guerra e a “Lebre”


O meu amigo Rafael Lopes, no seu projecto muito especial “Lebre” (http://www.revista-lebre.com/), lançou o oitavo número da revista digital com o mesmo nome. Dois assuntos ali focados que me trazem recordações. Um deles, mais secundário, tem a ver com essa figura da corrida, Ron Hill, “primeiro atleta britânico a vencer a maratona de Boston, em 1970, participando em três Jogos Olímpicos (de 1964 a 1972) e correu pelo menos uma milha (1609,344 metros) por dia, desde 20 de Dezembro de 1964”, lê-se no texto. Ron Hill parou no dia 29 de Junho de 2017, 19032 dias depois. Calcular-se que terá corrida uma distância semelhante a seis voltas e meia ao planeta!
A minha primeira memória sobre Ron Hill remonta-se a 1990, ano em que estive em Londres para a promoção da Maratona de Lisboa (a primeira competição a promover-se nas grandes maratonas internacionais). Na feira do corredor, Ron Hil, estava no seu espaço de promoção e venda do material desportivo com a sua marca. Estava em Londres com a companhia de um campeão olímpico, que não se sentia confortável a falar inglês e ao passarmos naquele espaço promocional, esse campeão vira-se para mim e diz-me “tens que me ajudar a pedir um autógrafo dele!». Fiquei de boca aberta, eu não conhecia Ron Hill, nem a sua história, naquela altura. Porque é que um campeão olímpico queria um autógrafo de alguém que nunca o foi? Lá fui, pedi o autógrafo e mal falei no nome do meu companheiro naquela iniciativa ele levanta-se do banco e corre a abraçá-lo. Nunca me esquecerei daquele momento com Ron Hill e... Carlos Lopes, ele mesmo. E, querem saber, perdi a oportunidade de ter um autógrafo dos dois! Se fosse hoje, não faltaria a foto, no “face”, “insta” ou “twit”.


A colina do desespero, aqui assinalada


As outras memórias têm a ver com a evocação da capa, que não podia ser mais feliz, quando estamos a três dias do Mundial de Corta-Mato, outrora uma competição que mobilizava a generalidades dos meios de comunicação social. A evocação dele ocorre dias antes de se completarem 18 anos após a conquista da medalha de bronze no mundial de Belfast, na Irlanda do Norte (28 de Março de 1999), o maior feito da carreira (pese embora os seus seis títulos europeus e cinco medalhas de prata na mesma competição!)desse extraordinário atleta barranquenho, Paulo Guerra!
A primeira memória, péssima, vem desse dia glorioso. Eu estive em Belfast, em tão ao serviço de A Bola. Já tinha assistido a bons desempenhos tugas nas outras corridas, Já estava cansado e subir e descer uma colina sem condições, relvada, sem condições para tal, mas que tínhamos que transpor para não perder as palavras dos nossos compatriotas.
A corrida do Guerra foi memorável (bem retratada na revista pelo Rafael). E no final, a correr para apanhar o “queniano branco”, como ficou conhecido em toda a Europa (e em África!), naquela fatídica colina, escorreguei e para tentar evitar males maiores fiz uma luxação do braço. Fui o único a abandonar aquele local, gelado e todo molhado da chuva, em ambulância. Já não consegui falar com o Guerra e toda a reportagem anterior estava no meu gravador. No meio das dores e depois da anestesia, com a ajuda de todos os membros da comitiva, lá consegui enviar o que tinha, e “sacar” pelo telefone, o que não tinha (Paulo Guerra), para o serviço poder ser editado.
A segunda memória tem a ver com a “aparição” do Paulo Guerra. Antes de 1989, ninguém tinha dado por ele. O barranquenho tinha começado a correr pelo GD Diana (1988) e no ano seguinte estava no Arraiolense. Nesse ano de 1989, a Associação de Atletismo de Lisboa conseguiu chamar a si a realização do Campeonato Nacional de Corta-mato masculino, fruto de forte empenho da Câmara Municipal da Amadora e do então Regimento de Comandos (hoje de Lanceiros). Estes campeonatos, já agora, terão sido dos mais simples de organizar, já que existiam todas as condições em termos de infra-estruturas, desde a pista, toda desenhada e produzida pelos militares (e que ainda agora é respeitada!), até aos balneários, salas para doping, secretariado, etc. Nada de tendas. Tudo edifícios.
Pois nesse campeonato, em que um célebre amigo, Ezequiel Canário, então no Imortal de Albufeira, venceria pela segunda vez consecutiva, nas provas para os mais jovens surgiam novidades. Em juvenis, venceu Júlio Figueiredo, do CDC Seia (que venceria em juniores, em 1991, já pelo FC Porto), individualmente, e colectivamente venceu uma equipa de Vila Franca de Xira, o Agruela, que tinha a liderança de um jovem treinador, Osvaldo Apolinário.
Mas vamos agora ao que interessa. De rompante, tal como em Belfast, 10 anos depois, um jovem alentejano com um equipamento amarelo, naquele percurso bem selectivo, impunha-se com um andamento forte, robusto e ao mesmo tempo leve e dinâmico. No final, com uma vitória categórica, Paulo Guerra dava-se ao conhecer ao Mundo. Na Amadora.
No ano seguinte o barranquenho passou para o Sporting e pacientemente cumpriu várias etapas da sua carreira, conseguindo o primeiro dos seus cinco títulos nacionais em 1995.

10.000 m é... na Maia!

Se há pista com carisma no que concerne ao meio-fundo, essa é a pista do Estádio Municipal Prof. Dr. Vieira de Carvalho, na Maia. Já estã...