Atletismo mundial: do amadorismo ao “profissionalismo”


Manuela Machado, em 1995, com o Mercedes que conquistou (fotogravura publicada na Revista Atletismo)



Durante a nossa carreira acompanhámos várias evoluções da modalidade. Umas técnicas, outras institucionais. Da Federação Internacional de Atletismo Amador (International Amateur Athletics Federation, designação em inglês, com a sigla IAAF), que mais tarde (2001) passou a Associação Internacional das Federações de Atletismo (International Association of Athletics Federations, para manter a mesma sigla, IAAF), até à designação atual, World Athletics (decisão em 2019). 

Das alterações às regras (ex: apenas uma falsa partida por atleta, em vez de duas), aos engenhos (ex: mudança do centro de gravidade do dardo), aos incentivos (prémios) aos campeões e depois aos restantes finalistas. Nos mundiais de 1993 e 1995, os campões mundiais recebiam, da IAAF, como prémio, um mercedes. Nos Mundiais de 1997 já foram oferecidos prémios monetários aos atletas do pódio (60 mil dólares ao campeão, 30 mil ao segundo, 20 mil ao terceiro). 

Consequência (ou evolução) dos prémios, a IAAF retirou a palavra Amador do seu nome. Adiante. Os prémios foram evoluindo e nos últimos mundiais (Tóquio 2025, precisamente há um ano), os vencedores recebiam 70 mil dólares e já todos os finalistas (oito primeiros) traziam qualquer “coisita” no bolso. 

Este ano, com este World Athletics Ultimate Championship a dar prémios de 150 mil dólares aos campeões (e mais uns “pozitos” aos restantes), foram criadas as condições para a assunção plena de que o profissionalismo é uma realidade no atletismo.

Um profissionalismo verdadeiro para umas centenas, especialmente os que conseguem entrar no circuito dos grandes meetings, com prémios de presença e prémios monetários (atrativos, diga-se). 

Esta semana, dando prosseguimento a esta tendência, a European Athletics também anuncia prémios monetários mais fortes para os Europeus de 2028 (cimentando um pouco os prémios já atribuídos em Roma 2024 e Birmingham 2026).

Estar nos grandes palcos já traz alguma compensação e promete bons desempenhos, será o objetivo por trás destas compensações. Os melhores atletas agradecem, os outros percebem a montanha que têm de subir para chegar lá. 

Mas, atenção, com as novas diretrizes da WA, com mundiais, “ultimates” e jogos olímpicos todos os anos, com épocas a terminar em setembro, para alguns, as escolhas e as apostas terão de ser bem feitas, com o “fantasma” da forma não durar o tempo todo (como se verificou nalguns casos). 


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